Eu vivo a cada dia
Como se fosse o último.
E escrevo cada poema
Como se fosse o primeiro.
Toda coisa que sentia
Em silêncio sento e rimo
Livre de todo problema
O que vivi o dia inteiro
Poema meu de cada dia.
Vi Zanata, 16/02/11
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Meu pesadelo
"(...) Imaginemos uma fabulazinha onde o herói seja um certo urbanóide pós-moderno: você. Ao acordá-lo, o rádio-relógio digital dispara informações sobre o tempo e o trânsito. Ligando a FM, lá está o U-2. O vibromassageador amacia-lhe a nuca, enquanto o forno microondas descongela um sanduíche natural. No seu micro Apple II, sua agenda indica: REUNIÃO AGÊNCIA 10H/ TÊNIS CLUBE 12H/ ALMOÇO/ TROCAR CARTÃO MAGNÉTICO BANCO/ TRABALHAR 15H/ PSICOTERAPIA 18H/ SHOPPING/ OPÇÕES: INDIANA JONES-BLADE RUNNER VIDEOCASSETE ROSE, SE LIGAR / SE NÃO LIGAR, OPÇÕES: LER O NOME DA ROSA (ECO) - DALLAS NA TV - DORMIR COM SONÍFEROS VITAMINADOS/.
Seu programa rolou fácil. Na rua divertiu-se pacas com a manifestação feminista pró-aborto que contava com um bloco só de freiras e, a metros dali, com a escultura que refazia a Pietá (aquela do Miguelangelo) com baconzitos e cartões perfurados. Rose ligou. Você embarcou no filme Indiana Jones sentado numa poltrona estilo Menphis - uma pirâmide laranja em vinil - desfiando piadas sobre a tese dela em filosofia: Em Cena, a Decadência. A câmera adaptada ao vídeo filmou vocês enquanto faziam amor. Será o pornô que animará a próxima vez.
Ao trazê-lo de carro para casa, Rose, que esticaria até uma festa, veio tipo impacto: maquiagem teatral, brincos enormes e uma gravata prateada sobre o camisão lilás. Na cama, um sentimento de vazio e irrealidade se instala em você. Sua vida se fragmenta desordenadamente em imagens, dígitos, signos - tudo leve e sem substância como um fantasma. Nenhuma revolta. Entre a apatia e a satisfação, você dorme."
(trecho do livro: O que é pós-moderno, Jair Ferreira dos Santos, Ed. Brasiliense, 1987)
Mau dia, mau dia!
Hoje eu aprendi que a verdadeira amizade não existe. Que a afetividade e a comunhão entre os homens, é um sonho vão. Quanto mais conheço as pessoas, mais medo tenho de me envolver com elas. Não confio em ninguém, porque ninguém jamais me entenderá. Do contrário, todos farão de mim o que desejar. Se me afasto das pessoas, é porque elas nada têm a me acrescentar.
Viva o irracionalismo-anarco-individualista-pessimista-niilista!
"Estranho", 06/05/2010.
Remorsos vãos
Muitas coisas que vemos, não existem. Muitas coisas que não vemos, existem. A vida é falsidade, a vida é traição. Pensar que o sol passa sobre nossas cabeças é ilusão. Jamais conheceremos a nós mesmos como queremos. Nosso medo de saber a verdade nos trairá novamente. Somos seres artificiais; estamos sempre aprendendo um sorriso novo, uma piada nova... pra quê? Sim! Buscamos sempre a plenitude, buscamos abarcar a totalidade da vida para estarmos no controle de tudo; buscamos o sentido da vida, mas me parece que o sentido da vida é justamente esta busca infinita pelo sentido da vida. De modo que o sentido da vida, no fim, acaba sendo o que queremos que seja, ao longo do caminho, em baixo das pedras, ou além das montanhas. Tudo isso é uma grande besteira. Isso aqui não é auto ajuda. Foda-se!
"Estranho" 06/05/2010
Projeto inacabado
Momentos de solidão são momentos de reflexão. É quando posso finalmente me sentar em meu quarto, ler um bom livro, ouvir uma música que eu gosto, escrever alguns versos, ou simplesmente pensar, silenciosamente, em como foi meu dia; sobre tudo o que queria ter feito, e não fiz...
Confesso que ultimamente ando meio triste. Não com os últimos acontecimentos, mas com seu potencial fracasso. E essa minha propensão ao pessimismo parece ser uma consequência inevitável, e até necessária, de anos de desencantamento.
Quando criança, me lembro que sentia uma vontade enorme de viver uma grande aventura, com grandes emoções, e que um dia este dia chegaria. Os meus dias eram feitos de pequenas aventuras, pois minha imaginação me lavava aonde eu queria chegar. Mas chega uma hora que percebemos que este mundo de fantasia não existe, e que o mundo é feio, triste e cinzento. Percebi que aqueles meus sonhos se tornaram em meu pior pesadelo: sonhei levar uma vida normal.
No começo eu até sentia orgulho de mim mesmo, pois ainda me restavam algumas esperanças. Me lembro que apesar de sempre ter sido diferente, recluso, vivendo só em meu mundo, ainda sentia a vida passando em minhas veias, e via meu rosto sorridente no espelho; minha calma serena e até tímida, me faziam perceber que eu era especial, e que conseguria tudo o que eu quisesse se conservasse dentro de mim um coração bondoso e cheio de vida.
Sem data, e inacabado...
Sem questões
Não há como esperar que algo de bom nos aconteça de repente. Isso tudo é ilusão. Não sei mais em que acreditar, em que posso confiar; o que ou quem será meu porto seguro... Sei apenas que tudo isso depende exclusivamente de mim, já que me sinto completamente só deste lado do planeta. No entanto, não será a dor do poeta uma invenção de sua cabeça? Ou será que Rousseau estava certo ao dizer que a sociedade é quem nos corrompe? Será que a sociedade nos oprime, e nada podemos fazer, como dia Durkheim? Há um sem número de questões referentes à nossa existência que estão por ser respondidas há séculos. Mas ainda busco uma utilidade para o conhecimento em minha vida. E apesar de tudo, eu quero mais é viver...
Novembro/2010.
Basta querer?
O que há em nós quando não queremos o bastante? Há dias em que estou confuso quanto ao que quero, e tudo o que faço parece ser uma grande mentira. Jamais quero mentir pra mim mesmo novamente, como menti muitas e muitas vezes... Eu não quero mais estar confuso; eu quero saber o que eu quero, tenho direito de saber! Por que seria assim, tão difícil de compreender? Será que devo simplesmente andar em direção à vida, despreocupado, para ver no que vai dar, e assim, de repente, uma resposta virá? Talvez eu deva experimentar os sabores da vida sem nenhum propósito, para que assim eu possa descobrir qual é o meu verdadeiro propósito.
(Semanas atrás).
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